Estava no centro da cidade caminhando, como sempre apressado com as obrigações a minha espera, esperando para serem resolvidas. Nada me fazia sombra naquele dia, apenas uma garrafa d’água era o alívio de minha sede, também uma mochila grande e pesada que me deixava mais exausto com o calor do sol, e as passadas que me pareciam deixar mais distante do meu destino.
Passando por
uma praça avistei um casal, muito bem apresentável por sinal. Um homem muito
elegante; usava uma camisa azul clara, uma calça preta com sapatos brilhosos e um
grande relógio que marcava exatamente AM 11:28. A mulher que estava em sua
companhia, vestia um vestido bem arejado, discretamente estampando com flores
avermelhadas, um cinto amarelo e grosso fazia uma combinação perfeita com seus
sapatos que despertavam a atenção de outras damas que também caminhavam pela
agitada praça. A elegante senhora estava com uma criança que parecia estar
chorando, pois o casal de adultos estava aos berros.
- Carlos
volte para casa, o que pensa que está fazendo?
- Estou
fazendo, o que eu penso que tenho que fazer e o que eu quero fazer.
- Como você
pode ser tão irresponsável a esse ponto Carlos Eduardo?
- Cintia, há
muito tempo eu estava com isso travado na minha garganta. Escuta uma coisa,
você e todos que têm o prazer em me amolar, EU NÃO PRECISO DE VOCÊ, NÃO PRECISO
DA COMPAIXÃO DO SEU PAI, NEM MESMO PRECISO DOS MEUS PAIS, NÃO PRECISO DE
NINGUÉM, EU APENAS PRECISO DE MIM, e isso basta. Agora vá e me deixe em paz.
Segui o meu
caminho. Mas, aquelas palavras me intrigaram bastante.
É bem
verdade que não temos nada haver com brigas de marido e mulher, porém o que
realmente me chamou atenção foi o EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM.
Hora, com
certeza você já deve ter presenciado alguém pronunciando esta frase, muito
pretensiosa por sinal. Como uma pessoa pode dizer que não necessita de outra?
Isso realmente não me cabe na cabeça. Para
chegarmos ao mundo precisamos de uma mulher que nos gerasse, nos cuidasse e
guardasse por alguns meses em seu ventre, quando chegou a hora de vir ao mundo
precisamos de mãos que nos tirassem do ventre materno. Precisamos de mãos que
nos acariciaram e nos alimentaram quando tínhamos fome. Precisamos de mãos que
nos ensinassem como ler, como escrever, nos comportar. Precisamos de amigos que
nos dêem o ombro, em momentos de dificuldades e que se alegrem conosco com
nossas vitórias. Precisamos de mãos que recolham os lixos da cidade, para que
tudo se torne mais agradáveis aos olhos. Precisamos de pessoas que construam
casas, praças, hospitais. Precisamos de mãos que guardem a nação; no céu, na
terra, no mar e nas ruas. Precisamos de mãos que nos cuidem quando estamos
doentes. Também precisaremos de mãos que nos levem de volta a terra quando tudo
para nós houver terminado, e chegar à morte.
Definitivamente,
não há como dizer que não precisamos de ninguém.
Se você já pronunciou esta estúpida frase e acha que ainda teve razão em tê-la dito, revejas seus conceitos e valores. Concluo dizendo que preciso de você, pois de que me valeria esse texto, se ninguém o pudesse ler?

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