terça-feira, 8 de maio de 2012

Eu Preciso de Você



Estava no centro da cidade caminhando, como sempre apressado com as obrigações a minha espera, esperando para serem resolvidas. Nada me fazia sombra naquele dia, apenas uma garrafa d’água era o alívio de minha sede, também uma mochila grande e pesada que me deixava mais exausto com o calor do sol, e as passadas que me pareciam deixar mais distante do meu destino. 

Passando por uma praça avistei um casal, muito bem apresentável por sinal. Um homem muito elegante; usava uma camisa azul clara, uma calça preta com sapatos brilhosos e um grande relógio que marcava exatamente AM 11:28. A mulher que estava em sua companhia, vestia um vestido bem arejado, discretamente estampando com flores avermelhadas, um cinto amarelo e grosso fazia uma combinação perfeita com seus sapatos que despertavam a atenção de outras damas que também caminhavam pela agitada praça. A elegante senhora estava com uma criança que parecia estar chorando, pois o casal de adultos estava aos berros.

- Carlos volte para casa, o que pensa que está fazendo?
- Estou fazendo, o que eu penso que tenho que fazer e o que eu quero fazer.
- Como você pode ser tão irresponsável a esse ponto Carlos Eduardo?
- Cintia, há muito tempo eu estava com isso travado na minha garganta. Escuta uma coisa, você e todos que têm o prazer em me amolar, EU NÃO PRECISO DE VOCÊ, NÃO PRECISO DA COMPAIXÃO DO SEU PAI, NEM MESMO PRECISO DOS MEUS PAIS, NÃO PRECISO DE NINGUÉM, EU APENAS PRECISO DE MIM, e isso basta. Agora vá e me deixe em paz.

Segui o meu caminho. Mas, aquelas palavras me intrigaram bastante.
É bem verdade que não temos nada haver com brigas de marido e mulher, porém o que realmente me chamou atenção foi o EU NÃO PRECISO DE NINGUÉM.

Hora, com certeza você já deve ter presenciado alguém pronunciando esta frase, muito pretensiosa por sinal. Como uma pessoa pode dizer que não necessita de outra? Isso realmente não me cabe na cabeça. Para chegarmos ao mundo precisamos de uma mulher que nos gerasse, nos cuidasse e guardasse por alguns meses em seu ventre, quando chegou a hora de vir ao mundo precisamos de mãos que nos tirassem do ventre materno. Precisamos de mãos que nos acariciaram e nos alimentaram quando tínhamos fome. Precisamos de mãos que nos ensinassem como ler, como escrever, nos comportar. Precisamos de amigos que nos dêem o ombro, em momentos de dificuldades e que se alegrem conosco com nossas vitórias. Precisamos de mãos que recolham os lixos da cidade, para que tudo se torne mais agradáveis aos olhos. Precisamos de pessoas que construam casas, praças, hospitais. Precisamos de mãos que guardem a nação; no céu, na terra, no mar e nas ruas. Precisamos de mãos que nos cuidem quando estamos doentes. Também precisaremos de mãos que nos levem de volta a terra quando tudo para nós houver terminado, e chegar à morte.
Definitivamente, não há como dizer que não precisamos de ninguém.

Se você já pronunciou esta estúpida frase e acha que ainda teve razão em tê-la dito, revejas seus conceitos e valores. Concluo dizendo que preciso de você, pois de que me valeria esse texto, se ninguém o pudesse ler?

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