Por esses dias, venho sofrido um pouco por conta dele (o amor). O mal da humanidade.
Decepções, desilusões, expectativas e afins, vem me corroendo por dentro. Foi então que o "literato" que havia dentro de mim começou a gritar, era como se eu o tivesse prendido, o tivesse enjaulado e agora ele não pudesse mais conter aquele lugar frio, escuro e tenebroso. Foi quando nos encontramos novamente, o convidei para um chá, e fomos ao restaurante mais próximo, sua aparência não era das melhores. Ele estava sujo, maltrapilho, o mofo da prisão o tinha deixado assim, eu tinha deixado com que ele ficasse assim. Paramos em uma esquina onde havia um boteco e pouca movimentação, escolhemos uma mesa de canto que dava vista pra rua, onde passava pouquíssimos carros que poderiam até ser contados hora por hora. Fizemos o pedido e a conversa foi iniciada por ele.
- Olá quanto tempo não nos vemos hein?
- É, depois do nosso ultimo encontro, da minha primeira decepção, queria me isolar. Lembra-se que até brigamos? Fomos nos afastando e eu por um medo que ainda não sei qual é, te deixei dentro daquele quadrado escuro. Então os dias foram passando e eu estava muito ocupado com o meu corre-corre do cotidiano e trabalho, esqueci de você ali. Acho que faz uns seis anos mais ou menos que não nos vimos – abaixei a cabeça acanhado.
- Lembro da nossa ultima briga, mas não é isso sobre isso que quero falar. Como sou você, sei exatamente como está sua estrutura agora. Estou aqui para ajudá-lo, vamos juntos conquistando cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, cada mês, cada ano da sua felicidade, não estou dizendo isso porque somos amigos, é porque sua felicidade realmente é a minha felicidade. Acredite!
Sorri de leve com o canto da boca, eu estava demasiadamente envergonhado. Porém os verdadeiros amigos sempre estarão com você, mesmo quando os anos passarem e vocês já não tiverem mais assunto para continuar o diálogo, um ao outro relembrará loucuras no trabalho, conversarão assuntos novos, assuntos nem tão novos assim. Coisas bestas, fúteis, interessantes, nem um pouco interessa. Sabe o que interessa? Que a amizade seja verdadeira.
Então, após aquele sorriso tímido, tomei mais um gole de chá para desatar o nó que estava na garganta. Eu não acreditava que estávamos ali batendo aquele papo, tudo muito surreal. Estávamos retomando nossos laços de amizade, risos descontraídos acontecia em dados momentos daquela conversa, estamos novamente felizes.
Estou feliz por ter estado sensível ao grito do meu amigo, e ter aberto a porta e o deixado sair. Quero que essa união agora seja eterna enquanto existirmos, que venham brigas, discussões de relação, pois isso também consolida a base e fortalece um relacionamento.
Você, não tranque seus amores, amigos, sonhos, desejos em um quarto escuro e úmido por tanto tempo como eu fiz. Deixe-os livres lembrando que você é o comandante deste navio, você que ordena onde cada um dos tripulantes ficará. Se na torre de vigia, se nas turbinas da embarcação, se no salão de festas ou no porão. Você é quem decide!

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