Vem cá, senta aqui e vamos conversar um pouco. Me deixa te
fazer algumas perguntas pra tentar te entender, pra tentar entender esse seu
medo de se entregar, esse seu medo de se permitir sentir, esse medo do que as
pessoas vão falar ou pensar. Vamos me conte, explique-se, exponha-se – se quiser.
Lembra? Somos amigos.
Estou falando de um A-M-I-G-O; desses do tipo que quando acontece algo novo
você quer correr pra contar, independente de ser uma coisa boa ou algo triste.
Estou falando do tipo de amigo que você não usa máscaras, capas ou coisas do
tipo. Estou falando do amigo que conhece você nu e cru, com todos os seus
defeitos e qualidades.
Estou falando daquele tipo de amigo, que você o considera como um irmão, sei
lá, mais que um irmão.
Estou falando daquele tipo de amigo que você o chama pra sair e já sabe a
resposta, mesmo assim faz questão de chamá-lo.
Estou falando daquele tipo de amigo que se ganhar na loteria, ele ficaria rico
com você.
Detalhado o tipo de amigos que somos, seguimos com o assunto
em questão.
Não podemos negar. Sentimos. Sentimos o frio na espinha,
sentimos medo, sentimos aquela insegurança, sentimos e sentimos. Sabemos exatamente
o que está se passando com a gente, mas deixamos o medo construir sua casa
sobre nós. Fingimos não sentir. Não está ali. E terminamos perdendo a nossa essência,
o que realmente somos e sentimos. E terminamos perdendo uma página que poderia
ser A PÁGINA da nossa vida. Eu sei que às vezes dói, que machuca e que é necessário
ter muita coragem pra enfrentar tudo e todos, e que não é fácil. Mas você achou
que realmente seria fácil? A vida não é fácil pra ninguém meu amigo. E sentir dor
é um bom sinal, ela nos diz que ainda estamos vivos, ela nos diz que ainda
sentimos. Sentimentos não são para estar guardados sob embrulhos e caixinhas, são
pra ser sentidos, vividos. Se você assim não o fizer, jamais vai se sentir vivo
de verdade.

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