Fechou a primeira porta, parou um pouco. Não sabia pra que nem o porque da pausa. Desceu vagarosamente as escadas. Fechou a grade na cor bege, meio descascada e enferrujada. Tirou o pequeno molho de chaves do bolso, escolheu uma amarelada, era a que servia exatamente no cadeado. Pegou os fones de ouvido de sua mochila, os plugou em seu celular e escolheu uma música que descrevia seu estado de espírito. Abaixou a cabeça visualizando apenas seus sapatos já gastos pelo tempo e começou sua caminhada. Eram passos pequenos, calmos, compassados. Cada andar um pensamento. Não tinha pressa. O vento soprava seu rosto, seu corpo. O céu não estava tão belo, não estava tão azulado com estrelas brilhantes. E a lua se escondera naquela noite fria. Nem mesmo a lua, em qualquer das suas fases, lhe fazia companhia. A música invadia seus tímpanos, seu cérebro. Olhava para o nada e pensava em tudo. Queria gritar o seu silêncio, mas contia em si. Queria vomitar sua agonia, expulsá-la. Entretanto, ela está ali, o atormentava.
O primeiro passo em área livre foi dado. Pessoas caminham pelas ruas, todas muito apressadas, presas em seus mundos, em suas vidas. Ele esbarra numa moça - Ela tem pele clara, cabelos negros, lisos, caídos aos ombros, vestia uma camisa branca, com estampa de flores em tons de salmão, uma calça jeans justa e sandália rasteira; algumas bijuterias em seu antebraço esquerdo, carregava sob o colo um caderno e uma pequena quantidade de livros, era tudo o que compunha aquela garota.
Ele continuava perdido no labirinto escuro dos deus pensamentos, vagava pelos vales sombrios, por terras de ninguém. Tateia os muros úmidos e repletos de lodo. A vista teias de aranha e cavernas de morcegos, vales com cadáveres expostos, abutres a espera da próxima refeição. Sente um frio na espinha e um calafrio na nuca. O odor do ambiente invadia suas narinas e enchia seus pulmões.
O céu se tornou mais escuro, a noite em trevas total, as nuvens não se entendiam e resolveram se reunir para desaguar suas queixas, gritavam raios, trovões e relâmpagos. Tempestades atingia o solo, o atingia. Já não havia uma parte do seu corpo que não houvesse sido ferido pelas águas de Março, estavam mais ferozes este ano. Sentiu o salgado em seus lábios, eram lágrimas quente que rolavam por suas bochechas e se misturavam as gotas da chuva. Naquele dia só queria um abrigo, um porto seguro. Só queria a tranquilidade em meio toda aquela tormenta. Não conseguiu.

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